WILSON SIMONAL, SIMONAL, SIMONA, SI...
O convite do Martoni para escrever um texto sobre Wilson Simonal de Castro me pegou de surpresa. Embora seja um ardoroso fã desse grande e original cantor desde meados da década de 1960, não sei se terei condições de traduzir no papel minha admiração e saudade. Dos cantores da minha adolescência, Simonal é sem dúvidas o que me deu mais alegrias, o que eu mais gostava de ouvir. Gostava tanto dele que, quando estudante da Escola Técnica Federal Celso Suckov da Fonseca, pintei nas costas do meu jaleco uma enorme caricatura de Simonal, com uma espécie de gravata passada pela testa e amarada do lado da cabeça. Era meu ídolo, e eu carregava com satisfação.
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Como expressar o enorme deleite quando ouço suas canções e, sobre tudo, a tristeza que me dá sua falta no cenário musical brasileiro? Como traduzir, neste espaço tão pequeno, a grande, a amazônica indignação que sinto com a injustiça e vilania que vitimou esse que considero um dos 10 maiores artistas da música no Brasil? Como escrever algo que esteja à altura de seu enorme talento? Essas questões pularam da tela do computador no instante em que abri o e-mail.
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No início da década de 1960, no balanço da Bossa Nova e na gestação da Jovem
Guarda, começou a brilhar aquela que seria uma das estrelas mais fulgurantes do universo da música nacional: Wilson Simonal. Negro e de origem muito humilde, Simonal deu um duro tremendo até tornar-se um dos artistas mais populares do Brasil no fim dos anos 1960 e início dos 1970. Possuidor de uma voz e um estilo personalíssimo, invejavelmente afinado, com uma rara habilidade para a harmonia e divisão, Wilson Simonal logo tornou-se o primeiro cantor negro a ascender ao status de estrela maior da MPB. Em pouco tempo, graças a seu incomparável talento musical, conquistou merecido destaque, sobrepujando em popularidade (e em cachê!) os mais consagrados cantores de então. E isso, parece, despertou muita inveja, ciúme e intolerância. .
Em 1971, no auge da carreira, Simonal descobriu que estava sendo roubado pelo seu contador. Quis dar uma de malandro esperto e chamou uns militares conhecidos pra
dar um susto no salafrário. Eram os anos de chumbo da ditadura, e na confusão que se seguiu foi acusado de colaborador do regime militar. Foi taxado de dedo-duro entre os artistas. Pronto! Era tudo que os invejosos queriam. A imprensa sensacionalista, que sobrevive mais da miséria e fracassos alheios, tinha ali um prato cheio. O Pasquim, no qual publiquei alguns cartoons em 1975 ou 76, foi o principal veículo a caluniá-lo. O cartunista Sérgio Jaguaribe, o Jaguar, admitiria muito mais tarde que fizera tudo por impulso, e não se arrependia de ter destruído um mito. Penso que era por pura inveja ou outro sentimento mais torpe..
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