Neste blog muita informação sobre a história da Bossa Nova.
Acesso direto às publicaçòes no Rádio Forma & Elenco sobre:

Wilson Simonal, - Maysa, - António Carlos Jobim, - Tuca

Zecalouro, - Elis Regina , - Dick Farney , - Zito Righi

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo - Happy New Year


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Para todos os Amigos - To all our Friends
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Música: Sino de Belém de Caio Mesquita.
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sábado, 20 de dezembro de 2008

Sylvia Telles com Corcovado - Uma das Bossa Novas mais tocadas

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Sylvia Telles, 27 de agosto de 1934 - 19 de dezembro 1966
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Sylvia Telles - Corcovado (Antonio Carlos Jobim)
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Corcovado do album Hits de Bossa Nova (1963)
está no Radio Martoni
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Corcovado

Um cantinho
Um violão
Este amor e
Uma canção
Pra fazer feliz
A quem se ama.

Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar
Da janela vê-se o Corcovado
O redentor
Que lindo!

Quero a vida sempre assim
Com você perto de mim
Até o apagar
A velha chama.

E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você
Eu conheci
o que é felicidade
Meu amor

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Em 1955 Sylvia (ou Sylvinha ou Silvia ou Silvinha) Telles gravou o primeiro disco, o compacto com "Amendoim Torradinho" e "Desejo". Em 1956 lançou um 78 rotações com "Foi a Noite", considerado um marco precursor da bossa nova. Na outra face do disco estava "Menina", de Carlos Lyra também iniciante. Com o disco "Amor de Gente Moça", de 1959, tornou-se a primeira cantora profissional a lançar um disco inteiro de Bossa Nova.
Sylvia teve morte prematura em um acidente de automóvel na rodovia Amaral Peixoto, no município de Maricá, Rio de Janeiro, em dezembro de 1966.





Assistem aos videos com Sylvia Telles no Martoni Videos






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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Tributo à Antonio Carlos Jobim

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Antonio Carlos Jobim, 25 januari 1927 - 8 december 1994


Rita Reys - Só Danço Samba (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes)



Só Danço Samba
do album Rita Reys Sings Antonio Carlos Jobim (1983)
está no Radio Martoni
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Para esta homenagem optei pela cantora de jazz holandesa Rita Reys, em 1960 nomeada de Europe's First Lady of Jazz. Rita Reys (21 de dezembro 1924) canta desde que tinha 16 anos e até hoje é muito agendada para concertos.
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Seu primeiro marido foi o baterista de jazz Wessel Ilcken, (1 de dezembro 1923 – 13 de julho 1957).
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Em 1960 ela casou com Pim Jacobs (29 de outubro 1934 - 3 de julho 1996) do Pim Jacobs Trio. No dia deste casamento houve o lancamento do LP Marriage In Modern Jazz.




Só Danço Samba

Só danço samba, só danço samba
Vai, vai, vai, vai, vai
Só danço samba, só danço samba
Vai
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Só danço samba, só danço samba
Vai, vai, vai, vai, vai
Só danço samba, só danço samba
Vai
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Já dancei o twist até demais
Já dancei e me cansei
Do calipso ao chá-chá-chá
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Só danço samba, só danço samba
Vai, vai, vai, vai, vai
Só danço samba, só danço samba
Vai
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Só danço samba, só danço samba
Vai, vai, vai, vai, vai
Só danço samba, só danço samba
Vai
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Só danço samba, só danço samba
Vai, vai, vai, vai, vai
Só danço samba, só danço samba
Vai
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Já dancei o twist até demais
Já dancei e me cansei
Do calipso ao chá-chá-chá
Só danço samba, só danço samba
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Vai, vai, vai, vai, vai
Só danço samba, só danço samba
Vai
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Vai, vai, vai, vai
Só danço samba, só danço samba
Vai, vai, vai
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Tom Jobim foi mencionado no programa de F&E de 16 de fevereiro 2008:
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....Este foi um panorama do que acontecia com Jobim neste ano de 1963 nos EUA, com toda esta correria, compor estava difícil, uma das poucas canções que Jobim fez neste ano foi em homenagem a uma jovem atriz que ele conheceu na casa do presidente da gravadora Atlantic, Nesuchi Etergan, a jovem atriz era Candice Bergen, e á música Tom deu o nome de "Bonita", feita com letra em inglês..... leia mais >>
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50 anos de Bossa Nova
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sábado, 6 de dezembro de 2008

50 Anos de Bossa Nova - Elis Regina

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Elis Regina e Toots Thielemans - Canto de Ossanha
(Baden Powell e Vinicius de Moraes)
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Canto de Ossanha
do album Aquarela do Brasil (1969)
está no Radio Martoni
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Canto de Ossanha

O homem que diz "dou" não dá
Porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz "vou" não vai
Porque quando foi não quis
O homem que diz "sou" não é
Quem é mesmo é "não sou"
O homem que diz "tô" não tá
Porque ninguém tá quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha, traidor
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor
Vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Amigo sinhô, saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá
Que muito vai se arrepender
Pergunte ao seu Orixá
Amor só é bom se doer
Pergunte ao seu Orixá
Amor só é bom se doer
Vai, vai, vai, amar
Vai, vai, vai, vai, sofrer
Vai, vai, vai, vai, vai, vai, chorar
Vai, vai, vai, vai, vai, dizer
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

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Elis Regina foi mencionado no programa Forme & Elenco de 12 de janeiro 2008:


.....esta gaúcha que chegou no início dos anos 60 ao Rio de Janeiro com um disquinho debaixo do braço e começou a percorrer as emissoras de rádio para mostrar seu trabalho, ainda primário e ingênuo. Más um radialista de São Paulo (Walter Silva) depois de ouvi-la, disse no ar, vc ainda vai ser a maior cantora deste Brasil ( e olha que o repertório daquele primeiro disquinho era sofrível)..... leia mais >>
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Especial Elis Regina

Tambem não deixa de assistir o especial sobre Elis Regina no Martoni Videos


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50 Anos de Bossa Nova
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Comentário de Meire Bottura sobre a publicação sobre Wilson Simonal

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Comentário de Meire Bottura sobre a publicação

A Vida do Wilson Simonal não foi muito "Bossa Nova"
da autoria de Franz Kreutner e publicado no blog “Rádio Forma & Elenco”
parte 1 - 27 de nov. 2008
parte 2 - 02 de dez. 2008


Meire Bottura disse...


Martoni e Franz, que beleza de texto! Parabéns a ambos, Simonal merece.


Infelizmente, apesar de iniciativas como a de vocês, e de tudo o que já foi dito e esclarecido sobre o suposto envolvimento dele com a repressão, ainda surgem por aí muitos comentários conflitantes. Penso que não deveria ser assim, no entanto, é bom que isso aconteça para que, quem sabe, o brasileiro finalmente se interesse pelo que realmente importa – a obra que ele nos deixou. Se tiver de ser desta forma, que seja, afinal, o assunto ganhou tamanha proporção que acabou por encobrir a magnitude do artista.


O tema desperta paixões e discussões calorosas e vira-e-mexe surgem, principalmente na internet, comentários de pessoas que desconhecem os fatos e tampouco se preocupam em checar, apenas pegam carona no momento e manifestam opiniões com base no senso comum e em diz-que-diz. Outros, questionam processos judiciais que na época atingiram os seus pares, porém, se contradizem ao validá-los quando estes corroboram as suas opiniões. Coerência não é – não deveria ser – excludente conforme a pauta.


Penso que é preciso saber distinguir o artista de sua obra: ele pode ser revolucionário na arte e reacionário na vida particular, ou vice-versa. Porém, admito, eu repudiaria veementemente Wilson Simonal se ele realmente tivesse colaborado com os órgãos de repressão, porque, ao contrário de grande parcela dos brasileiros, procuro saber o que acontece em meu país e tenho a exata noção do que foi o regime militar e suas conseqüências.


Não estou dizendo que Simonal era santo; ele cometeu um gravíssimo erro no infeliz episódio com o ex-contador. Mas, não esqueçamos, ele foi processado, condenado e cumpriu a pena – pagou a dívida com a sociedade. Entretanto, o desfecho foi outro, sua ingenuidade beirou à burrice, ele não percebeu a seriedade da situação e achou que sua condição de artista famoso lhe daria respaldo. Resultado, deu munição para os que queriam vê-lo pelas costas: a mídia e a classe artística.

Para que entendamos a complexidade do assunto, é preciso frisar que Simonal era considerado persona non grata tanto pela esquerda, quanto pela direita. Era tido como perigoso porque dominava a massa – contra fatos não há argumentos. O estopim da história foi o testemunho do policial Mário Borges ao justificar o uso das dependências do dops para interrogar Rafael Viviani (contador de Simonal, suspeito de roubo). Borges, em sua própria defesa, mentiu em juízo: afirmou ter acreditado que o contador era um terrorista perigoso porque Simonal era um informante (da repressão) de longa data. Entretanto, o inspetor Vasconcelos – superior direto do policial – desmentiu a declaração, mas este depoimento ESTRANHAMENTE não ganhou as páginas dos jornais. Esclareço, a afirmação não é minha, consta no inquérito criminal instaurado pelo promotor público Pedro Fontoura na 23ª Vara Criminal do Rio de Janeiro (então Guanabara) em 13 de outubro de 1972.


O depoimento do Inspetor Vasconcelos desmentindo o policial acabaria de vez com as especulações, mas, certamente não venderia jornais. Já vimos este filme, não são poucos os casos que conhecemos. Simonal foi desmoralizado porque a mídia promoveu uma campanha sórdida contra ele e, convenientemente, a classe artística tratou de engolir rapidinho toda a história.


Dizem que Simonal cavou a própria cova porque era arrogante e metido. Sim, era mesmo, mas, qual é o problema, é crime? A meu ver, ele não destoava em nada de tantos outros artistas a não ser pelo pecado de ter nascido negro. Simonal incomodava porque não dizia amém à sociedade racista da época. Não é difícil imaginar o burburinho em torno de um negão boa-pinta, desfilando a bordo de carrões e derretendo o coração das lourinhas de família. Era um sacrilégio, a sociedade não engolia. Se fosse branco, certamente não faria diferença.

O Maestro Erlon Chaves foi outra vítima da intransigência racial explícita que determinava: negros devem saber qual o seu lugar. Ele afrontou as más línguas ao conquistar a maior beldade da época, a louríssima Vera Fischer, e a gota d’água foi o episódio quero mocotó. Ao apresentar-se rodeado de lindas mulheres, Erlon insultou a sociedade: beijou uma bela loura, olhou para as câmeras e disse que com aquele gesto estaria beijando todas as brasileiras. Saiu do palco algemado, ficou vários dias desaparecido, foi perseguido, proibido de exercer sua profissão por 30 dias em todo o território nacional, e por aí vai. Esta é uma das histórias que este triste país carrega no currículo.


Naquela época, o preconceito racial no Brasil era explícito, normal e corriqueiro, o estranho era alguém agir diferente. E, não nos iludamos, a diferença daqueles tempos para os dias atuais é que agora, além de ser crime, o racismo também é politicamente incorreto, o que não o elimina, apenas camufla. Como disse Florestan Fernandes, o brasileiro tem preconceito de não ter preconceito.


Sim, Wilson Simonal era empinado e metido, e estava certo, tinha de se armar contra os que não admitiam que um negro nascido numa favela chegasse lá. E, além do mais, ele podia ser o que quisesse, afinal, não era qualquer um que conseguia ser o maior cantor de um país tão grande. Ele incomodou sim: arrebatou multidões e alardeou seu talento aos quatro cantos... imperdoável.


Tudo poderia ter sido diferente não fosse a mídia, que enaltece e destrói a bel-prazer e, principalmente, emudece quando lhe convém. A história de Simonal é mais uma das gritantes perseguições do furo jornalístico em detrimento da verdade. A nossa imprensa tem no currículo vários episódios de carreiras e vidas destruídas por precipitação, injustiças, mentiras plantadas, interesses escusos, ou até mesmo por incapacidade profissional. Não raro, age de maneira arbitrária, descontextualiza e fragmenta as informações transformando-as em teses. Resultado, ao simplificá-las unilateralmente, em vez de uma denúncia fundamentada, define uma prova de crime e dá o veredito. Basta lembrar do linchamento público promovido contra os donos da Escola Base.


Sim, houve racismo contra Simonal, porém, não foi o único fator que determinou a sua destruição. Sua arte representava alegria num momento de dor e perdas, o que gerou perseguição policialesca por parte dos intelectuais engajados que não podiam questionar publicamente o sistema. Estes, transformavam suspeitas em verdades absolutas e, já que eram obrigados a engolir a humilhação de viver sob o jugo dos militares, se vingavam em bodes expiatórios como o Simonal. Eis a atuação do Pasquim que, sabemos, atirava para todos lados sem medir conseqüências. Claro, sei que eram outros tempos, mas, digam isso à família do cantor.


Se ainda restam dúvidas, por que será que até hoje não apareceu uma única pessoa que tenha sido delatada por Simonal? Desafio a quem quer que seja a citar uma, qualquer uma, apenas uma: o filho de um delatado, neto ou sobrinho, um parente qualquer, um amigo, ou um conhecido. Qualquer um bastaria. Claro, não apareceu porque essa pessoa não existe. O próprio Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho - Rede Globo) afirmou que se Wilson Simonal fosse colaborador da repressão, ele teria sido, naquela época, a única atração com total aval para ir ao ar na Globo. Elementar...


Fico pasma que ainda pairem quaisquer dúvidas. Infelizmente, muitos não se dão ao trabalho de analisar o que há por trás deste emaranhado de informações conflitantes. As ideologias nos impedem de avaliar os fatos com isenção porque têm a pretensão de formar uma lógica para obter imagem universalizada de determinado assunto. Não é difícil compreender o que houve, basta o brasileiro ter real interesse em pesquisar. Já passou da hora de reconhecermos que Wilson Simonal é um patrimônio cultural nosso, devemos isso a nós mesmos. É preciso dizer, repetir e jamais esquecer que, à custa do calvário de Simonal e do enorme sofrimento da família, a nossa cultura ficou mais pobre.


Wilson Simonal merece a atenção dos estudiosos brasileiros, e não apenas citações. Esta história grita, clama ser ouvida, não pede preces, pede justiça, ele sempre implorou ser ouvido, sem êxito. Os seus discos, sempre esmerados pela produção que os envolvia, eram os mais vendidos do Brasil graças ao público que o consagrou como um de nossos maiores intérpretes. Negar a sua participação na história da nossa música é impossível. Evitar preconceitos será sempre uma boa introdução, e reverenciá-lo como artista é, definitivamente, o nosso dever.


28 de novembro de 2008 17:06

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A Vida do Wilson Simonal não foi muito "Bossa Nova" - 2a parte

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WILSON SIMONAL, SIMONAL, SIMONA, SI....

Colaboração de Franz Kreuther

Num show, gravado em LP, Chico Anisío faz uma piada (acho que era uma piada sobre apelidos) em que dizia mais ou menos assim: “O cara se chama Wilson Simonal, vira Simonal, Simona, Si...” E a platéia cai na risada. Penso que, talvez, o que Chico queria não era dar motivos para risos, mas lançar um alerta para que resgatassem Wilson Simonal antes que fosse tarde demais.

Apresentar Wilson Simonal para os jovens desta geração deveria ser uma obrigação da indústria fonográfica e, principalmente, da mídia e da comunidade de artistas e músicos brasileiros, que por pura maldade, inveja, intolerância ou falta de compaixão, foram responsáveis por sua débâcle, sua ruína. É uma obrigação e um dever para com a memória desse grande artista, pelo tanto que prejudicaram este gigante da música nacional.

A música popular brasileira sempre contribuiu para marcar uma determinada época na nossa história social. Já tivemos a chamada “Época de Ouro”, onde imperava o rádio e a nação se encantava com a beleza dos
chorinhos e sambas; depois veio a batida diferente da Bossa Nova, o romantismo ingênuo da Jovem Guarda e aquela que seria, musicalmente, a fase mais brilhante da MPB: os Festivais de Musica Popular. Contudo, o material musical (letra, melodia e interprete) que a mídia divulga nos últimos 20 anos é de uma qualidade tão duvidosa e de apelo tão popularesco, que não sei se teremos do que nos orgulhar no futuro.

O povo brasileiro não tem respeito por suas tradições, por sua cultura, por seu patrimônio artístico e cultural. Aqui, no centro de Belém, havia duas magníficas construções, cuja arquitetura era motivo de orgulho para a cidade, a Fábrica Palmeira e o Central Hotel. A primeira virou um imenso buraco por décadas, até que se transformou em estacionamento, e a segunda foi demolida para dar lugar ao Hilton Hotel. Eu não vi essas demolições, mas se tivesse visto talvez ficasse maluco diante de tanta estupidez e ignorância. Como alguém pode destruir uma obra de arte? Como destruir a beleza? Como alguém tem coragem para destruir o único exemplar de um estilo artístico ou cultural? Como alguém pode fazer isso? Simonal foi vítima desse mesmo espírito destruidor.

Em 1972 eu era vendedor de livros, e minha equipe foi designada para fazer o Jardim Botânico, bairro carioca onde fica a “Vênus Platinada”, como chamavam a TV Globo. Estávamos na calçada do outro lado do prédio da Rede Globo, bem em frente a uma casa lotérica cujas as paredes eram cobertas de autógrafos de artistas. Conversava com uma colega de trabalho quando vi dois homens saindo pelo portão da Globo. Reconheci um deles:
Simonal. Imediatamente atravessamos a rua e lhe estendi um pequeno cartão de visitas que alguém havia me dado: pedi-lhe um autógrafo, o único que pedi a um artista até hoje. Ele desenhou o S de Simonal como uma clave de Sol, e achei muito original. E para minha amiga ele armou o laço e cantou:”Se você quer ser minha namorada....”. Nalgum momento da minha vida perdi esse cartão, mas nunca a lembrança daquele momento. Fecho agora os olhos. Vejo-o diante de mim autografando o cartãozinho, ouço-o...

Espero que Deus não perdoe as pessoas que causaram tanto sofrimento não somente a Wilson Simonal, mas a todos nos, seus admiradores.
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Franz, muito obrigado,
Martoni
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Um dos maiores ícones da MPB foi Wilson Simonal, que está quase totalmente esquecido. Buscando resgatar sua memória e valorizar sua contribuição à música brasileira de boa qualidade, meu blog instituiu o selo BOSSA SIMONAL. Se quiser apoiar, copie e cole-o no seu blog.
Franz Kreuther
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50 Anos de Bossa Nova
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